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Por que a infografia prende o leitor

Como percebem a infografia, as audiências ou leitores?

Desde 1991 The Poynter Institute, um dos centros de formação de jornalistas mais importantes de Estados Unidos realiza um estudo denominado “Eyetrack” que analisa e registra a forma em que os leitores veem e navegam pelas páginas de jornal, identificando os pontos de entrada às páginas e os elementos que chamam a atenção e que motiva a ler o texto da informação. Os resultados são muito favoráveis para a infografia, eis algumas das conclusões:

1) A infografia é o gênero que por mais tempo prende a um leitor na página.

2) 77% ingressam visualmente à página pela infografia, 61% pela fotografia e 36% pela manchete.

3) 87% dos leitores que veem uma infografia leem o texto, no caso da manchete é 41%.

Os leitores fogem dos jornais porque não contamos às histórias que demandam, mas também fogem porque não as contamos como as demandam. O problema não é somente o que se fez até agora, senão também o “Como”.

Finalmente, recordemos que as novas gerações não contam histórias como as contamos nós e o que é mais importante, não leem (nem veem, nem ouvem) como seus pais ou irmãos mais velhos. Devemos compreender que a forma em que obtêm informação mudou muito e que para eles o visual, sintético, rápido e atraente é o que vale.

Só a infografia salvará os jornais (1)

Por que digo isto? Porque a infografia oferece todas as ferramentas para acabar com a fórmula clássica de fazer jornalismo: Informação = Título + Texto + Foto. Esta fórmula serviu durante muitos anos. Foi como um mecanismo de segurança para jornalistas de todos os tipos e condições. Nosso livro guia.  no entanto, acabou por uniformizar a maneira de contar a realidade, submetendo-a as estreitas margens da narrativa textual.

Estudos científicos como o desenvolvido pela Universidade de Lund (Suécia), apresentado numa edição nova dos Malofiej, demonstram que a infografia é o gênero que por mais tempo prende a um leitor na página. Por sua natureza e por suas características, os gráficos atraem a curiosidade dos leitores, que entendem bem essa linguagem fragmentada e tremendamente visual. Por que não aplicar então a fusão desta nova era da infografia ao jeito de contar as notícias?

Alguns jornais são hoje conhecidos por ter quebrado as tradições. Liberation, primeiro na França, mais tarde Correio Brasilense no Brasil ou The Independent no Reino Unido… decidiram um dia pôr de pernas para o ar; fundamentalmente suas portadas e empregar novas linguagens com forte ônus intencional ou editorializante. Cifras, frases, fotos, gráficos, tabelas, diagramas, história em quadrinhos… Qualquer ferramenta era válida. No entanto, poucos e em poucas ocasiões deixaram que este tsunami narrativo invadisse as páginas interiores. Esse é o grande desafio. E não uma vez, nem em momentos especiais: sempre.

Então, o ruim é que isso atribui que as empresas informativas apostem sem nenhum temor pela qualidade: frente a demissões e estágios, planilhas com mais experiência, mais elaboradas e mais qualificadas. Algum truque tinha que ter a receita!

 


Antecedentes da infografia jornalistica


1 . Extraído de: “Por qué la infografia salvará al periodismo”, Javier Errea. Cume Mundial de Infografia Malofiej 16, Pamplona, Espanha, março 2008.

Em que percentagem é percebida pelo leitor os elementos de uma página?



Que elemento chama mais a atenção para entrar à página?



Depois de ver um destes elementos, em que percentagem lerá o texto da informação?



Fontes: "Eyes on the News", Mario García, Pegie Stark. The Poynter Institute. 1991
"Eyetracking the News", Pegie Stark, Sara Quinn, Rick Edmonds. The Poynter Institute. 2007.

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